Project Description
Há pessoas que, mal entram numa sala onde há um quadro torto, de imediato, todo o seu foco vai para o quadro, quase como se internamente tivessem uma sirene que disparasse de cada vez que algo não está “no sítio”.
Quem já fez coaching comigo sabe que eu tomo notas em cada sessão, que no final são fotografadas pelos clientes. E não é que um dos meus clientes, na primeira sessão que fizemos, em que eu ia colocando folhas escritas numa mesa ao lado da minha cadeira, me perguntou “não se importa que eu arrume as folhas?” e, com a minha anuência, alinhou-as e fê-las coincidir, meticulosamente, parecendo que de apenas uma se tratava?
Por outro lado, há pessoas que, entrando em salas desarrumadas, com quadros tortos, com tapetes fora da esquadria, entram, sentam-se, fazem o que têm a fazer e integram toda a informação com igual valor, não se prendendo ao que é diferente, ao que está “fora do sítio”.
Há pessoas que umas vezes dão pelos “quadros tortos” e outras vezes não. Qualquer que seja o teu caso, está tudo bem, obviamente.
O que é interessante, tendo em conta esta informação, é que, existindo autoconhecimento sobre esta e outras nossas características, podemos tomar decisões incorporando toda a informação nas escolhas. Por exemplo, se eu tenho de decidir uma profissão e sou “alertada” por tudo o que está “fora do sítio”, se calhar posso ser cirurgião ou contabilista, pois esta é uma característica que dá muito jeito em ambos os casos.
Digamos que o autoconhecimento é uma espécie de acelerador de tomada de decisões, não lhes conferindo mais, nem menos qualidade (na minha opinião) no sentido em que, na imprevisibilidade da vida, nunca poderemos saber se cada decisão é melhor que uma outra que não foi, nem será, tomada. Sabemos apenas que cada decisão que tomamos é a melhor possível com os dados que temos.
Muitas relações profissionais, entre casais, ou noutra forma qualquer de associação entre humanos, são postas em risco porque, para um, os quadros estão sempre tortos e para o outro, está tudo bem. Este tipo de diferença é, muitas vezes, encarada como embirração, falta de boa vontade, gerando conflitos e minando relações. Há muitas características que, pela sua diferença e falta de consciência, podem levar a este mesmo resultado.
O autoconhecimento e o conhecimento que temos das características do outro podem ser a chave para o podermos aceitar e ter relações mais significativas e duradouras.