E se o Verão não chegar? 2018-06-11T06:46:29+00:00

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E se o Verão não chegar?

No ano passado tivemos o terceiro mais quente mês de Junho desde que há registos. Houve incêndios enormes durante todo o verão. O próprio Verão estendeu-se até quase ao inverno, houve falta de água e em várias zonas de Portugal foi declarada seca extrema. Todos os dias ouvíamos alguém queixar-se do calor, do disparate que era estar um calor tão abrasador em Junho, como se alguém tivesse um manual que tivesse uma regra, onde existisse a noção de certo ou errado, relativamente ao registo de temperaturas em determinado mês.

A única coisa que temos são dados estatísticos e curvas que nos mostram como foi desde que a humanidade começou a registar temperaturas. Houve anos muito frios, houve anos muito quentes. Existe uma temperatura que é a mais usual em Junho. Todos estes dados só são válidos no seu conjunto. Não existe o “ano” normal senão, era necessário que Deus para além de ter inspirado os livros sagrados nas diferentes religiões tivesse feito uma espécie de Borda-D’água sagrado com indicação do que é um Junho normal e do que é um Junho anormal. Seria como se os Junhos não normais fossem uma espécie de castigo ou de bênção.

É interessante observar que por exemplo na medicina temos o mesmo fenómeno. Os médicos teimam em profetizar, no caso de doenças graves, em relação às quais existem estatísticas longas, como é o caso do cancro a extensão da vida dos seus pacientes.
Há médicos que indicam que este ou aquele paciente tem X meses de vida esquecendo-se que, através da estatística, apenas sabemos o que aconteceu à maioria das pessoas que tiveram a doença e, nesta análise, é desprezada a parte da amostra que sobreviveu, que teve uma evolução diferente. Que bola de cristal têm alguns médicos que lhes permite profetizar em relação a um indivíduo em particular quando as estatísticas apenas são válidas para populações?

Os médicos esquecem-se de duas dimensões quando profetizam a duração da vida de alguém. Em primeiro lugar indivíduos não são populações e, em segundo lugar os humanos são seres que têm um corpo e uma mente e que estas duas dimensões estão juntas e, juntas são poderosas tendo mesmo o poder de fazer cumprir profecias.

Eu escolho viver cada dia da forma mais confortável para mim, tendo em conta os meus valores e necessidades e o que se me apresenta porque há coisas que são o que são e as bolas de cristal, as que funcionam, ainda não foram inventadas.