Project Description
“Que grande egoísta! Só pensas em ti! Nunca fazes nada por mim, ando para aqui a cair e tu continuas com a tua vidinha como se não fosse nada, a aproveitares-te da minha boa vontade, vê-se perfeitamente o estado em que estou… Grande egoísta!”
Este monólogo pode passar-se numa cabeça perto da tua ou talvez se tenha já passado na tua…
Esta queixa acontece muitas vezes entre casais e, com frequência, apenas é partilhada com os amigos mais chegados e outras tantas fica refém do medo de consequências por haver queixas, por se estar sempre a implicar e nem aos amigos chega.
Como numa panela de pressão, se não deixamos sair o vapor e continuamos com o lume acesso, a pressão aumenta e, mais cedo ou mais tarde, sai com uma força enorme, espalha-se por todo o lado e dá um trabalhão limpar tudo e o mais provável é que a panela tenha que ser substituída.
Acontece mesmo, por vezes, que ambos os membros do casal fazem a mesma queixa aos seus amigos, em relação ao outro, sem se darem conta de que não comunicam abertamente entre si, nem validam se aquilo que acreditam estar a acontecer é mesmo verdade e se pode ter um novo caminho de descoberta de solução.
Na verdade, nunca sabemos o que se passa na cabeça dos outros. Podemos achar que sim e, no entanto, isso não passa da nossa opinião, não há maneira de validarmos que não seja a que nos chega do outro pela sua confirmação.
Todos os casais antes de terem uma vida em comum deveriam frequentar um curso chamado: “Como observar como um cientista e comunicar com o coração”. Neste curso aprenderiam a colocar questões como:
-Quando estou a pensar ou a dizer que o outro ou a outra são isto ou são aquilo, a que me refiro concretamente? A que comportamentos especificamente me refiro?
-Quando faço afirmações do tipo: “Nunca fazes nada por mim!” isso é mesmo verdade ou há algo específico que gostavas que fosse feito e isso não está a acontecer? Já comunicaste, especificamente, isso?
-Quando achas que o egoísmo existe por não darem atenção ao teu estado, será que alguma vez disseste específica e exactamente qual o estado em que estás, o que está a acontecer e o que gostavas que acontecesse?
Claro que todas estas perguntas funcionam e bem se as fizeres de coração aberto, sem julgamento, sem acusação e com o foco numa solução, num caminho de mudança que te permita depois partilhar com o outro o que verdadeiramente estás a sentir e o que gostavas que acontecesse para que em conjunto possam encontrar novos caminhos comuns.
Cuidar de ti é uma responsabilidade tua, tal como é da tua responsabilidade aceitares ou não a forma como és tratada. Não te esqueças de que algumas vezes as grandes conclusões que tiras do que achas que é a tua realidade passa-se num grande filme que apenas está em cartaz na tua cabeça.
A responsabilidade pelo teu bem estar pertence-te, cuida bem dela.