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Ser feminista não tem nada a ver com ser contra os homens. Ser machista tem a ver com a prática de levar a mulher a uma condição de dependência e de subalternidade.
Enquanto existir uma mulher que se sinta cansada por não ter ajuda do companheiro, que se sinta cansada porque a maior parte do trabalho doméstico e de educação dos filhos recai sobre ela, é necessário o feminismo.
Durante muito tempo tive problemas com esta palavra embora já tenha sentido muitas vezes o seu peso. Associava o feminismo a um estereótipo de mulheres furiosas com os homens. Hoje sei que precisamos de ensinar os nossos filhos, homens ou mulheres, a serem feministas, para que possamos falar verdadeiramente de Humanidade.
Lembro-me de estar presente num jantar com cerca de 100 pessoas em que apenas meia dúzia eram mulheres, secretárias dos homens presentes. Nessa meia dúzia incluía-me eu, que me representava a mim própria e não me fazia acompanhar, e outra economista famosa que iria palestrar, éramos as únicas não acompanhantes e não acompanhadas do sexo feminino. Nesse jantar, em particular, fiquei numa mesa com ilustríssimos gestores da nossa praça que, assumiram que eu estaria a acompanhar um deles e, ao longo do jantar, esforçaram-se simpaticamente por me explicar, como se “explica a uma mulher”, as questões económicas e políticas até ao momento em que perceberam que eu pertencia aos órgãos sociais de quem organizava o evento, na verdade, era presidente do conselho fiscal.
Durante muito tempo representei a minha empresa numa organização internacional e, de novo, apesar de incluir os maiores países da Europa, eu era a única mulher. Às vezes vinha também uma outra participante de Hong Kong. Quando nos reuníamos, havia sempre um autocarro fretado com um guia que transportava esposas às compras e a ver as vistas. Nessas alturas constatava que o meu “assento” não era igual ao dos homens, em particular quando para me fazer ouvir, para ter espaço, um dos homens interrompia e dizia: “vamos ouvir agora o que a senhora tem para dizer”.
Foram muitas as ocasiões durante a minha vida profissional como gestora em que eu era a única presença feminina em igualdade de estatuto com os restantes participantes, os homens e, em algumas ocasiões, em alguns grupos não me senti “a senhora que também diz coisas”.
Acredito hoje que o feminismo é uma necessidade nas sociedades em evolução, em transformação, da valorização da Humanidade por igual. Embora veja já, em muitos cargos de topo, mulheres que estão a trazer também a sua energia a lugares antes apenas destinados aos homens, ainda constato que o equilíbrio não está completamente estabelecido.
Só quando ser homem ou mulher, pai ou mãe de família, a cuidar da casa e dos filhos por escolha própria ou quando ambos partilharem as tarefas com naturalidade por preferência, funcionalidade ou outro critério qualquer que não tenha a ver com o sexo, podemos colocar a palavra feminismo no local onde colocamos as palavras e expressões que deixamos de usar por força da evolução da sociedade: o museu das palavras.