A tua relação contigo já é uma história de Amor? 2018-07-13T09:16:18+00:00

Project Description

Há pessoas com quem temos dificuldade em nos relacionar e isso pode acontecer por muitos motivos:

– porque têm interesses tão diferentes dos nossos que temos dificuldade em criar uma ponte.
-porque os seus valores são tão diferentes que relacionarmo-nos com elas nos provoca emoções que preferíamos não ter.
– porque têm comportamentos que não compreendemos e que nos desconcertam, com que não sabemos lidar ou com os quais não queremos lidar.
-porque há algo na presença do outro de que não temos exacta consciência que provoca uma reacção tão forte em nós que impossibilita uma convivência tranquila.

Já várias vezes assisti à criação de grupos de pessoas que, pela sua diversidade de origem social, de orientação política, e de outras características, seria improvável formarem um grupo e, no entanto, por terem um interesse comum e por se manterem próximos ao longo do tempo acabaram por criar uma fórmula de relação altamente importante e gratificante para todos e que os aproximou pela semelhança fazendo perder importância a diferença. É o que acontece muitas vezes na prática de um desporto ou em situações limite (p.e. catástrofe natural e guerra).

De igual modo, pessoas bastante parecidas nos seus valores, nos seus interesses e com comportamento aparentemente semelhante tornaram a sua convivência impossível.

É interessante observar a forma como estabelecemos as nossas relações. Há pessoas que por se focarem na semelhança, por procurarem o que os aproxima dos outros, têm inúmeras relações, mais ou menos profundas, com muitas pessoas. Outras pessoas focam-se essencialmente no que as afasta de cada uma das pessoas que as rodeiam, no que são diferentes e escolhem não aceitar a diferença.

Às vezes, acontece que, a relação com a pessoa com quem passamos mais tempo de todas: nós próprias, não é uma boa relação, não existe apaziguamento. Há uma parte que discorda de outras, há uma parte que se irrita ou não gosta de outras e, por isso acontecer, por há partida já existir essa sensação cá dentro, menos são os graus de liberdade para com abertura se aceitar ou gostar dos outros.

Como posso aceitar os outros se não me aceitar a mim? Imagino que existiria uma parte de mim que ficaria com ciúme de mim própria por me relacionar melhor com os outros do que comigo e que faria com que não sentisse paz na companhia de outros. Como posso respeitar a diferença no outro se não me respeitar a mim, como posso estimar os outros se a minha autoestima não estiver saudável? Como posso sentir empatia pelos outros se estiver em permanente guerra comigo?

Muitas vezes as pessoas sentem-se tão sozinhas, tão isoladas. Acredito que essa sensação vem de a sua própria companhia não ser significativa, não ser de apaziguamento e satisfação e, por isso acontecer aumentar o desafio na relação consigo e com os outros.

Quando temos um desafio nas nossas relações com os outros o primeiro passo a dar é verificar como vai a nossa relação connosco, trabalhar essa parte e a partir dai escolher como nos queremos relacionar com os outros e com quem nos queremos relacionar.