Project Description
Sei que cada um de nós vê o mundo através de olhos diferentes, ouvidos diferentes e sensações diferentes definidas pela sua própria experiência, pelos seus valores, pelas suas crenças, enfim, pela pessoa única que é. É nesta diversidade que encontramos crescimento e também a semelhança que nos une.
Ontem, ao estudar Descartes com um dos meus filhos, apercebi-me da forma desligada da realidade como aprendemos conteúdos que deviam ser solo fértil para tomar decisões importantes, decisões que nos afectam a nós e aos outros e que há muito integram a forma como validamos o conhecimento científico.
Falamos de muitos assuntos com leveza, com um distanciamento inumano, com a sensação de que “não nos acontece a nós”, “ainda bem que não somos nós” ou de que “se calhar não foi bem assim”, “às vezes há exagero nestas coisas” ou ainda “sempre foi assim”, esquecendo de que esta casa, este país, este planeta, não são propriedade absoluta e universal de cada um de nós e que um dos critérios para a nossa passagem por cá deveria ser deixar tudo como encontramos, caso não seja possível deixar melhor.
Voltando ao Senhor Descartes que, teria convicções desafiantes e que não fazem sentido nos nossos dias, nos brindou com um conjunto de 4 perguntas maravilhosas a que chamamos perguntas cartesianas e que nos podem ajudar a definir a nossa opinião em relação a assuntos que nos parecem desafiantes, pouco claros, em que internamente entramos em conflito. As perguntas são, concretamente:
O que acontece se eu fizer isso?
O que acontece se eu não fizer isso?
O que não acontece se eu fizer isso?
O que não acontece se eu não fizer isso?
Podem substituir o “fizer” por “tiver opinião sobre”, “for interventiv@”, “der o exemplo” e nesse momento entramos num nível diferente, numa abordagem diferente do significado que atribuímos a “Ser Humano”.
Podemos usar estas perguntas em relação a temas de que muito se fala e cuja confusão ainda está instalada em algumas pessoas. Por exemplo, em relação à violência doméstica, à redução do consumo de carne, à aceitação de quem tem orientações diferentes das minhas, sejam religiosas, sexuais, políticas, estéticas, etc. Podemos simplesmente usar estas perguntas para decidir uma viagem, a companhia para a viagem ou mesmo para decidir o destino a escolher.
Se quiserem acrescentar ainda mais um passo no caminho de nos enriquecermos como humanos, no que, verdadeiramente, nos define, podemos ainda acrescentar mais três perguntas que devem coexistir com as cartesianas e que enquadram o conceito de ecologia, numa aceção alargada:
-É bom para mim?
-É pelo menos neutro para os outros?
-É válido num horizonte temporal relevante?
Talvez esta forma de questionar a realidade vos ajude a tomarem decisões, posições e a fazerem escolhas, a mim ajudam e muito…
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