Project Description
A realidade, para cada um de nós, é a percepção que temos dela. De uma maneira geral, concordamos sobre o que se está a passar à nossa volta sem aferirmos (ou termos possibilidade de o fazer) sobre a coincidência absoluta da experiência que cada um está a ter no mesmo contexto.
Quando alguém diz “azul” como posso saber a que tom se refere, que imagem tem na sua cabeça? Quando alguém refere que o som é melodioso ou que algo é macio, como posso saber a que sensações se refere? Sei, exactamente, o que significa melodioso para mim e até sei o que é macio. No entanto, nunca, por mais palavras que usemos, saberemos qual a sensação que o outro tem.
Muitos conflitos se geram porque a percepção que cada um tem do mundo é diferente da do outro e o significado e valor que atribui às palavras é diferente.
Cada vez mais comunicamos por mensagem escrita e, apesar da vantagem da rapidez, parece-me que aumenta também a possibilidade de gerar conflitos e desentendimentos. Quando comunicamos oralmente podemos observar a expressão facial, a linguagem corporal e ter acesso a uma comunicação mais completa e mais rica do outro. Percebemos muitas vezes a intenção da comunicação mesmo sem ela ser explicitada só porque foi usada uma simples piscadela de olho, umas sobrancelhas levantadas a que se junta o elemento mágico: a tonalidade.
Com uma simples mensagem de texto não sabemos qual seria a tonalidade empregue na comunicação e isso faz toda a diferença. Mesmo que usemos emojis com piscadelas de olho ou outra forma qualquer, a escrita não permite comunicar com a riqueza e subtileza que a utilização do timbre, da velocidade, do ritmo, do volume, da dicção, do tom que a voz permite.
Também adoro comunicar por mensagem escrita. É tão prático e rápido… Nada substitui a riqueza da presença.