Project Description
Eu é que sou a mãe!
Temos tantas crenças sobre o que é isto de ser “a mãe” e nem sempre temos consciência de como elas nos retiram graus de liberdade para sermos as mães que gostaríamos de ser e também como nos retiram do tema e do foco da maternidade que é o amor.
-A mãe está sempre bem disposta.
-A mãe sabe sempre o que é melhor.
-A mãe sabe sempre acolher as dores e agir a partir de “ama-me mais quando menos mereço porque é quando mais preciso.”
-A mãe tem sempre um abraço disponível.
-A mãe…
Em primeiro lugar, sendo humana, a mãe, por inerência, não está sempre bem disposta. Só este argumento serviria para deitar por terra todas as crenças sobre o que é ser mãe sendo um ser humano.
Depois não nos podemos esquecer de que ser mãe se aprende experimentando primeiro ser filha e que depois a aprendizagem se faz on job, sem rede e, principalmente, com o amor que é a base de todas as coisas.
As crenças que tinha sobre a educação incluíam acreditar que poderia educar do mesmo modo cada um dos meus filhos. A educação seria a mesma se eu era a mesma. Agora que passo pela experiência constato que é uma experiência completamente diferente ser mãe de cada um dos meus filhos. Cada um tem necessidades diferentes, respostas diferente às necessidades, preferências diferentes e eu, que sou a mãe, pelo meu lado reajo de forma diferente consoante as necessidades de cada um, entregando também eu mais três variáveis à equação.
Sei hoje que ter intenções bem formuladas sobre quem quero ser como mãe para cada um dos meus filhos e para todos no geral me entrega a possibilidade de me sentir orientada ou de saber que em relação a esta ou aquela área me sinto sem orientação nenhuma. Nesse caso, se as intenções que defini não estão a dar resposta a esta necessidade de orientação, posso avançar e trabalhar nessa direcção construindo mais intenções que me permitem andar na estrada da maternidade, escolher um atalho ou mesmo aventurar-me no desconhecido sabendo qual a intenção que sustenta, de forma consciente, essa escolha.
E sim, isto é a teoria. E sim, isto é também a prática. E sim, há momentos em que teoria e prática experimentam não ser coincidentes porque nisto de estar vivo e de Ser a mãe, às vezes também há incongruências, zonas menos harmoniosas, menos conscientes e que despertam velhos fantasmas que tomam conta do papel principal e transformam a experiência numa grande ópera que, por subir ao palco, acrescenta em riqueza às seguintes actuações.